Selma Capinan
2026.5.22Veredas-Revista da Associacao Internacional de Lusitanistas
Abstract
O presente artigo propõe um diálogo entre Frantz Fanon, a partir das obras Os condenados da terra e Pele negra, máscaras brancas, e Ailton Krenak, por meio de Ideias para adiar o fim do mundo, com o objetivo de analisar o conceito de humanidade em ambos os autores. Argumenta-se que a colonização produz não apenas uma desumanização material, mas também psicológica, marcada pela internalização do racismo e pela corrosão da identidade do sujeito colonizado. Embora situados em contextos distintos, Fanon e Krenak compartilham uma crítica aos sistemas coloniais e capitalistas, compreendidos como estruturas que instauram um regime ontológico baseado na hierarquização das vidas, na racialização dos corpos e na legitimação da exclusão. Fanon defende a violência revolucionária como meio de restauração da humanidade dos povos oprimidos, enquanto Krenak questiona a noção hegemônica de humanidade imposta pela modernidade ocidental, propondo uma cosmovisão na qual a vida humana se encontra intrinsecamente ligada ao meio ambiente. O estudo dialoga com autores como Achille Mbembe e György Lukács, entre outros, e conclui que ambos contribuem para a reconstrução da humanidade, a partir da reconciliação com as identidades e de novas formas de relação com o mundo.
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CAPINAN, Selma. Diálogo entre fanon e krenak. Veredas-Revista da Associacao Internacional de Lusitanistas, 2026, 45: 162–174.