Linguistic Studies and Language AcquisitionSyntax, Semantics, Linguistic VariationPhonetics and Phonology Research

Alessandra Emanuelle Macieira Silva, L. Amaral

2026.5.21Revista de Estudos da Linguagem

DOI: 10.17851/2237-2083.34.1.348-370

Abstract

Resumo: Nesta pesquisa, analisamos as construções insubordinadas na fala espontânea do português brasileiro, com foco nas construções causais, como eu acho que sim // porque ela trabalha o dia inteiro //. Adotamos como base teórica a Gramática de Construções (Croft; 2001, 2022) e os trabalhos sobre insubordinação, desenvolvidos na literatura sobre o tema (Bossaglia; Mello e Raso, 2020; Evans, 2007; Mithun, 2008). De acordo com esse aparato teórico, a relação entre partes da construção é de tipo semântico. Conforme mostram os dados deste artigo, a insubordinada é prosodicamente independente, mas exerce funções discursivas próprias. Por se tratar de dados autênticos e representativos da diamesia falada, as 286 ocorrências foram extraídas do corpus C-ORAL BRASIL (Raso; Mello, 2012) e as construções analisadas foram observadas quanto à função pragmática e conteúdo semântico. Os dados mostraram que as construções insubordinadas causais analisadas, apesar de apresentarem sintaxe de subordinadas causais, estabelecem relações semânticas com as orações que as precedem, especificamente uma relação de justificação enunciativa, de modo que a sintaxe de subordinação fica em segundo plano. Logo, a construção é vista como um resultado do uso da língua. Há, ainda, casos em que as insubordinadas apresentam uma relação com outro ato de fala contíguo, no qual, diferentemente das insubordinadas, uma aparente oração principal é identificada e, formam, portanto, as construções semi-insubordinadas.

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SILVA, Alessandra Emanuelle Macieira; AMARAL, L. Construções insubordinadas causais no português brasileiro. Revista de Estudos da Linguagem, 2026, 34(1): 348–370.