Gender, Sexuality, and EducationHistory of Medicine and Tropical HealthRace, Identity, and Education in Brazil

Ludmila De Souza Maia

2026.1.1Almanack

DOI: 10.1590/2236-463340ea21078

Abstract

Resumo Celeste é um romance publicado em 1893, considerado naturalista e escrito pela gaúcha Maria Benedita Bormann, sob o pseudônimo de Délia. A narrativa tematiza a sexualidade feminina em um momento de silenciamento, negação e controle do sexo e do prazer das mulheres burguesas. A obra mobiliza explicações médicas e científicas para comportamentos humanos classificados e medicalizados à luz da ciência da época. Além disso, expõe o casamento como uma instituição social abominável que leva, inevitavelmente, à infelicidade das famílias. Nesse artigo, discutimos, a partir de um ponto de vista histórico e literário, como a sexualidade feminina e a questão do matrimônio são trabalhadas por uma escritora que parecia defender a legalização do divórcio ainda nos primeiros anos da Primeira República. A pesquisa tem por intuito analisar o romance a partir do seu momento de produção e do lugar social ocupado por sua autora. Para tanto, é utilizado como fonte de pesquisa o periódico A Notícia, no qual Bormann trabalhava como jornalista e publicou Celeste como folhetim, e com o qual seu romance dialogava em relação às notícias do mundo real, assim como ocorria com outros textos ficcionais. O conceito de interseccionalidade é utilizado para discutir a aproximação entre a sujeição e as violências de gênero e racial utilizadas como imagens retóricas na narrativa do romance e em outros textos com o qual dialoga.

Citation format

MAIA, Ludmila De Souza. DOIS ANÉIS, UM só GRILHÃO: O ROMANCE CELESTE e OS DEBATES SOBRE o DIVÓRCIO NO ALVORECER DA PRIMEIRA REPÚBLICA. Almanack, 2026, 40.