Literature, Culture, and CriticismMemory, Trauma, and TestimonyArts and Performance Studies

Gustavo Ruckert, Sophia Mendonça, Camila de Oliveira Paz, Selma Sueli Silva

2026.4.6Nau Literaria

DOI: 10.22456/1981-4526.151527

Abstract

Este artigo busca compreender possíveis relações entre o recurso poético da apóstrofe e o engajamento com objetos presentes em manifestações de pessoas autistas. A análise é realizada com foco na produção poética de dois poetas autistas que se destacam pela utilização de apóstrofes: o indiano Tito Mukhopadhyay e a brasileira Mô Ribeiro. Para o desenvolvimento da análise, os principais aportes teóricos utilizados são as proposições sobre poesia, apóstrofe e personificação de Jonathan Culler; as reflexões sobre linguagem autista de Elizabeth Fein, Laura Sterponi, Amanda Baggs e Gustavo Rückert, bem como as aproximações sobre linguagem e poesia propostas por Ralph James Savarese. Os resultados apontam para uma diferença epistêmica na utilização do endereçamento apostrófico por parte dos poetas autistas. Culler propõe que o diálogo estabelecido com objetos ou seres inanimados possui validade simbólica e é aceito dentro de uma espécie de pacto poético. No entanto, em poetas como Mukhopadhyay ou Ribeiro, percebemos o alargamento dessa utilização, sendo reconhecida a alteridade de elementos da natureza ou de seres ditos inanimados. Assim, a linguagem autista se aproximaria de uma visão de mundo ameríndia ou africana e oferece importante contraponto à violência epistêmica ocidental que denunciam autores como Boaventura de Sousa Santos e Severino Ngoenha.     Palavras-chave: Poesia; autismo; apóstrofe; Tito Mukhpadhyay; Mô Ribeiro.

Citation format

RUCKERT, Gustavo, et al. As coisas não se ouvem de fora. Nau Literaria, 2026, 22(1): 57–68.