Nietzsche, Schopenhauer, and HegelHume's philosophy and hair distributionItalian Literature and Culture

José Nicolão Julião

2026.1.1Revista de Filosofia Aurora

DOI: 10.1590/2965-1557.038.e202632719

Abstract

Resumo Com base em um artigo de Mazzino Montinari, publicado em 1988, intitulado “Die spröde Art, Nietzsche zu lesen. Die Niederschrift von ‘Also sprach Zarathustra’ am Beispiel des Kapitels ‘Auf den glückseligen Inseln’”, examinamos a relevância da escultura de Michelangelo na constituição do conceito nietzschiano de Übermensch, durante a estadia de Nietzsche em Roma, no ano de 1883. Para tanto, tomamos inicialmente como referência a biografia de Nietzsche escrita por Paul Janz, com o objetivo de situar, de maneira concisa, o percurso intelectual do filósofo nos momentos que antecedem a formulação desse conceito, com especial atenção ao contexto romano. Em seguida, procedemos à análise do referido texto de Montinari, a fim de avaliar o alcance de sua hipótese, segundo a qual o pensamento de Michelangelo - artista profundamente admirado por Nietzsche - teria exercido influência decisiva na elaboração da seção “Nas Ilhas Bem-aventuradas”, pertencente à segunda parte de Assim falou Zaratustra. Posteriormente, acompanhamos os desdobramentos dessa interpretação na leitura proposta por Vivetta Vivarelli, em “Der Bildner des Übermenschen und der dithyrambische Künstler: Michelangelo und Wagner in Also sprach Zarathustra”. Por fim, concluímos que há uma presença discreta, porém significativa, de Michelangelo na configuração do conceito de Übermensch em Zaratustra, particularmente na seção “Nas Ilhas Bem-aventuradas”. Contudo, argumentamos que a influência do artista italiano não se limita à preparação desse conceito específico, estendendo-se ao tema mais amplo dos homens superiores e de figuras afins, o que amplia a recepção, por parte de Nietzsche, de diferentes matizes para a reflexão sobre essa problemática. Sustentamos ainda que Roma não constituiu, propriamente, o solo fértil imediato do qual tais ideias emergiram, mas que essa fertilidade deve ser atribuída à Itália em um sentido mais abrangente, especialmente no horizonte cultural do Renascimento.

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JULIÃO, José Nicolão. Roma (1883) e o nascimento do übermensch segundo mazzino montinari. Revista de Filosofia Aurora, 2026, 38.