Race, Identity, and Education in BrazilDevelopment, Ethics, and SocietyGender, Sexuality, and Education

Larissa De Paula Couto

2026.3.6Revista Eletronica Direito e Sociedade

DOI: 10.18316/redes.v13i2.12671

Abstract

Este artigo propõe a escrevivência, conceito forjado por Conceição Evaristo, como metodologia crítica de pesquisa no campo jurídico, a partir das epistemologias feministas negras e amefricanas. Entendida como prática de escrita que articula memória, corpo, oralidade e ancestralidade, a escrevivência é apresentada como estratégia de fuga da gramática colonial, racista e patriarcal que historicamente estrutura o direito brasileiro. Analisando o direito como cartografia da dominação, o texto reivindica uma travessia metodológica capaz de desvelar as fraturas e invisibilizações encobertas pela normatividade jurídica. Em diálogo com a produção de juristas negras como Eunice Prudente, Dora Bertúlio, Ana Flauzina e Thula Pires, discute-se o pioneirismo e a construção de legados de liberdade que constituem uma escrevivência jurídica coletiva. A escrevivência é defendida tanto como processo quanto como produto: prática de reinvenção de mundos possíveis a partir da escrita de nossas memórias, práticas, gestos, toda forma de testemunho de nossas rotas de fuga e imaginação radical. Ao tensionar a cultura jurídica hegemônica, a escrevivência inaugura epistemologias insurgentes comprometidas com a memória, a vida e a invenção de futuros.

Citation format

COUTO, Larissa De Paula. Escrevivência como metodologia feminista. Revista Eletronica Direito e Sociedade, 2026, 13(2): e12671.