Thaís Silva Falco, Camila Carvalho Menezes
2026.2.4Revista Brasileira de Marketing
Abstract
Objetivo: Identificar e caracterizar alimentos industrializados comercializados com as terminologias “caseiro” e/ou “artesanal” nas principais redes de supermercados do Brasil, avaliando sua qualidade nutricional. Método: Estudo observacional transversal, baseado em levantamento online e presencial de produtos disponíveis para compra nas principais redes de supermercados brasileiros. Os alimentos foram classificados segundo a extensão e o propósito de processamento (classificação NOVA) e avaliados por dois modelos de perfil de nutrientes: o da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o modelo brasileiro. Originalidade/Relevância: O estudo aborda um gap regulatório e científico relacionado ao uso não padronizado das terminologias “caseiro” e “artesanal” em alimentos industrializados, contribuindo para o debate sobre rotulagem, marketing alimentar e comportamento do consumidor. Resultados: Foram identificados 197 alimentos com uso das terminologias nos rótulos. Segundo a classificação NOVA, 77% foram classificados como ultraprocessados e 23% como processados. Pelo modelo de perfil de nutrientes (OPAS), 57,36% apresentaram pelo menos um nutriente crítico em excesso; pelo modelo brasileiro, 48,22% continham sódio, gordura saturada ou açúcar adicionado em quantidades elevadas. Contribuições teóricas/metodológicas: O estudo reforça evidências sobre a dissociação entre apelos de marketing e qualidade nutricional, além de integrar diferentes modelos de avaliação nutricional aplicados à rotulagem de alimentos. Contribuições sociais/para a gestão: Os achados sinalizam riscos de indução ao erro do consumidor e sustentam a necessidade de regulamentação mais rigorosa da rotulagem de alimentos. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): saúde e bem-estar, consumo e produção responsáveis.
Citation format
FALCO, Thaís Silva; MENEZES, Camila Carvalho. O marketing e as estratégias de posicionamento de alimentos industrializados rotulados como “caseiros” e “artesanais” no brasil. Revista Brasileira de Marketing, 2026, 25(1): e30135.