Caio Priori-dos-Santos
2025.12.11Opus
Abstract
A expressão “violão brasileiro” não se restringe à simples designação do instrumento, mas constitui um rótulo que carrega disputas simbólicas e estratégias de mercado. Entre a década de 1920 e o final dos anos 1950, esse adjetivo passou a ser utilizado tanto para qualificar repertórios e intérpretes quanto como ferramenta de promoção internacional. Dois ícones ilustram esse processo: a fotografia de Yvonne Rebello, anunciada na revista O Violão (1928), e a capa do disco Luiz Bonfá’s Brazilian Guitar (1958), esse último evidenciando a busca pela legitimação global da música brasileira. Enquanto a imagem de Rebello remete à promessa de uma nova geração de violonistas que transcenderia as limitações impostas pelo meio, a capa do disco de Bonfá sintetiza, por meio de um produto comercial, o exotismo e a sofisticação que o público internacional passou a associar à expressão. Portanto, este artigo tem como objetivo evidenciar como as categorias de identidade, estereótipo e imaginário são construídas conjuntamente pela indústria cultural e pelas dinâmicas sociais, com especial atenção aos exemplos mencionados.
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PRIORI-DOS-SANTOS, Caio. O violão brasileiro entre identidades e mercado: Yvonne rebello em o violão e luiz bonfá em brazilian guitar. Opus, 2025.