Open Access
DOI: 10.7322/jhgd.19921

Abstract

Nos ultimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saude materna no Brasil, assim como grande ampliacao do acesso aos servicos de saude. Paradoxalmente, nao ha qualquer evidencia de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensao deste paradoxo, atraves do exame dos modelos tipicos de assistencia ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudanca para uma assistencia mais baseada em evidencias sobre a seguranca destes modelos, sua relacao com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistencias a mudanca dos modelos. Examinamos os pressupostos de genero que modulam a assistencia e os vieses de genero na pesquisa neste campo, expressos na superestimacao dos beneficios da tecnologia, e na subestimacao ou na negacao dos desconfortos e efeitos adversos das intervencoes. Crencas da cultura sexual nao raro sao tidas como explicacoes 'cientificas' sobre o corpo, a parturicao e a sexualidade, e se refletem na imposicao de sofrimentos e riscos desnecessarios, nas intervencoes danosas a integridade genital, e na negacao do direito a acompanhantes. Esta 'pessimizacao do parto' e instrumental para favorecer, por comparacao, o modelo da cesarea de rotina. Por fim, discutimos como o uso da categoria genero pode contribuir para promover direitos e mudancas institucionais, como no caso dos acompanhantes no parto.

Citation format

DINIZ, S. Gênero, saúde materna e o paradoxo perinatal. Journal of Human Growth and Development, 2009, 19: 313–326.